A diversidade gastronômica de Belo Horizonte

Comida gostosa, ainda mais se for mineira, enche os olhos, o estômago e a alma. Mais do que respeitada internacionalmente, a gastronomia de Minas Gerais é querida e desperta boas lembranças. Como parte da campanha “Rede Minas em apoio às cidades que concorrem a rede Cidades Criativas da Unesco”, o Jornal Minas mostrou, em uma série de cinco reportagens, todas as cores, sabores, tradições, histórias e experiências ofertadas pela gastronomia de Belo Horizonte.

Da culinária afetiva à gastronomia

O primeiro episódio volta às raízes afetivas da cozinha e traz um pouco da história da culinária mineira e uma das cozinheiras mais famosas de BH, a Dona Lucinha. Afinal, se tem comida boa, tem também uma grande cozinheira, e o nome de Dona Lucinha fala ao coração de quem ama a tradicional cozinha mineira. Respeitada internacionalmente, ela é uma das grandes representantes dessa culinária como um ato de afeto.

Minas Gerais são muitas, e a sua culinária reflete essa diversidade. Vibrante e moderna, Belo Horizonte sabe servir bem à mesa.

“A gente não deixa as coisas de lado, a gente aprimora e transforma o tradicional em inovador e contemporâneo.”
Vani Pedrosa, consultora do Senac, sobre a comida mineira.

Nicole Delucca, escritora, coleciona receitas para reviver sentimentos. As folhas desgastadas pelo tempo, que sobrevivem por gerações, são um legado familiar.

culinária afetiva em Belo Horizonte

Baixa gastronomia

Comida boa, barata e bem servida. Essa é a baixa gastronomia, que inclui aquele tira gosto caprichado do boteco da esquina, que tanto agrada o belo-horizontino. A culinária da capital mineira é muito conhecida pelos seus pequenos estabelecimentos espalhados pela cidade. Engana-se quem acha que o termo pretende rebaixar esse tipo de comida. Afinal, baixa gastronomia tem a ver com simplicidade, mas sem perder nada da qualidade e em BH ela dá charme à comida de estufa, no balcão ou na mesa.

Em tempos de gourmetização, BH levanta a bandeira do boteco raiz. Neste episódio, alguns dos pratos clássicos da cidade. Quem nunca ouviu falar do fígado acebolado com jiló do Bar da Lora no Mercado Central? Já a história do Café Palhares se confunde com a história da cidade. O estabelecimento é responsável pelo famoso KAOL (cachaça, arroz, ovo e linguiça). A linguiça é feita artesanalmente e o fornecedor da couve é o mesmo há 30 anos. O prato inicialmente era feito apenas para os funcionários, mas atraiu os olhares do público e acabou entrando para o cardápio, tornando-se um símbolo da boemia no centro da cidade. O Nonô, com seu caldo de mocotó, é outra tradição do centro da capital mineira e há quem bata ponto no local várias vezes ao dia. Seu tempero é segredo de família, guardado a sete chaves.

  Café Palhares - bar do Nonô

 

Cerveja e botecos

Já que Minas não tem mar, vamos para o bar. O famoso ditado já resume bem a importância dos botecos em Belo Horizonte. Afinal, na capital do bar, basta um bom petisco e boas companhias para consagrar essa que é uma das principais atividades de lazer do mineiro. Neste episódio, confira a relação entre cervejas, bares e a cultura gastronômica da cidade.

“Está no DNA do mineiro, sobretudo do belo-horizontino. Desde áureos tempos, tudo era resolvido no bar. As reuniões eram no bar, a política era no bar, o teatro acontecia no bar.” Patorroco, empresário.

Os bares e as cervejas da capital agradam os mais diversos gostos dos clientes. Há 20 anos o famoso concurso Comida di Buteco consagra essa cultura boêmia da capital mineira. Além disso, a região metropolitana de BH se tornou um pólo cervejeiro. “O que faz nossas cervejas serem reconhecidas até mundialmente é justamente o uso de ingredientes locais, o cruzamento com o que a nossa cultura gastronômica tem de mais rica. A diferença é essa, o poder criativo dos nosso cervejeiros.” Fabiana Arreguy, jornalista.

 

Influência estrangeira na gastronomia mineira

Quais as influências de outros países e regiões na comida mineira? As trocas culturais tiveram grande influência na culinária atual de Minas Gerais, no nosso dia a dia. Até um simples PF tem influência estrangeira, assim como um dos pratos mais tradicionais da culinária brasileira, a feijoada. O estado foi o terceiro destino que mais recebeu imigrantes italianos. Além disso, especialistas afirmam que é em Minas onde se encontra a comida mais próxima de Portugal. Ao lado do pão de queijo, as esfirras e quibes, com sua origem árabe, são sucesso nas lanchonetes. E não menos importante, a forte marca da comida do continente africano em nossos pratos tão saborosos!

Comida árabe em Belo Horizonte


Valorização dos ingredientes

A alta gastronomia com preços acessíveis. Uma combinação de ingredientes bem escolhidos com um toque de mineiridade e sofisticação. A BH dos bares e botecos é também a cidade da alta cozinha. E os chefs de restaurantes renomados da capital mineira têm resgatado ingredientes locais e PANCs (plantas alimentícias não convencionais), como ora-pro-nóbis, maria-gondó e serralha, valorizando e se aproximando do pequeno produtor da agricultura familiar.

“A gente tem muita coisa boa aqui. Temos que saber valorizar mais.
Não precisa ir para Paris para comer bem, você pode comer muito bem aqui em Belo Horizonte.”
Gael Paim, chef.

Gastronomia é arte, beleza, é a ciência por trás da escolha de cada ingrediente, é a matemática da medida ideal, a responsabilidade de cuidar da mais básica necessidade. É tudo isso que transforma o ato de comer em uma grande experiência. E, em Belo Horizonte, uma experiência que move a cidade.

       

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