Lagoinha: caminhos e histórias de Belo Horizonte

 

Nos últimos anos do século XIX, a cidade que se organizava e dava os passos  iniciais como capital mineira via surgir os seus primeiros bairros. Entre eles, o Lagoinha, uma das regiões mais tradicionais e que participou diretamente da construção da cidade.

O Agenda produziu uma série especial sobre o bairro, trazendo diferentes aspectos da sua história contada por locais marcantes. O especial tomou como ponto de partida o livro “Nossas ruas, nosso patrimônio (in)visível“, do escritor e pesquisador Daniel Queiroga.

Complexo Viário Lagoinha

Era lá onde moravam os operários que, à época, construíam Belo Horizonte. A Pedreira Padro Lopes, localizada logo ao lado, foi o local de onde vieram as primeiras pedras que deram origem a importantes avenidas da cidade, como a Afonso Pena. Originalmente não havia separação entre o centro e a Lagoinha, mas, com o tempo, o complexo viário que foi sendo construído na região apagou quarteirões e toda uma vida urbana que fluía pela região.

 

Série Lagoinha

“Foi uma política escolhida pela prefeitura nos anos 60, e que vigora até hoje, de uma cidade que pensa o carro, o automóvel, não pensa nas pessoas.” Daniel Queiroga, escritor e pesquisador.

Rua Itapecerica

O nome do bairro vem das pequenas lagoas que tinham na região, ao redor da praça Vaz de Melo. É ali também onde começa a rua Itapecerica, que em tupi significa “pedras que rolam”. A via tem como uma das principais marcas os casarões e antiquários. A equipe do Agenda foi conhecer alguns desses lugares.

Série Lagoinha

Praça 12

Belo Horizonte ainda possui uma relação muito próxima com o interior do estado. A Praça 12, com sua tranquilidade e arquitetura preservada, exprime bem essa conexão. O nome da praça é uma homenagem ao aniversário da capital comemorado no dia 12 de dezembro. São os próprios moradores que cuidam e preservam o local. Um dos pontos mais conhecidos da praça é o bar do Toninho, que é ponto de encontro certo dos moradores da região.

Série Lagoinha - Praça 12

“Essa que é a ideia de praça: um local onde as pessoas encontram, onde possam criar relações. A Lagoinha é múltipla não só nas manifestações culturais, mas também nos pedaços do território”. Daniel Queiroga, escritor e pesquisador.

Conjunto Habitacional IAPI

História também é o que não falta para o conjunto habitacional mais antigo da América Latina, o IAPI. O Instituto das Aposentadorias e Pensões dos Industriários foi um grande projeto iniciado Juscelino Kubitschek que marcou uma série de mudanças na capital mineira na década de 40. O conjunto fez parte de um processo de modernização da região e foi projetado para a habitação de 5 mil pessoas. A equipe do Agenda conversou com o sr. Raul, morador do IAPI desde a década de 50.

Série Lagoinha - IAPI

“De lá para cá mudou muito. O lugar vai mudando com o tempo. Mas aqui um toma conta do outro. Aqui é um bairro tranquilo para morar. Muitas vezes já deixei carro aberto e nunca roubaram.” Raul Fagundes dos Santos, morador do IAPI

Cemitério do Bonfim

O planejamento e a organização são características que unem a metrópole e a necrópole. O Cemitério do Bonfim foi inaugurado antes mesmo da capital e foi o seu único até a década de 40. O local abriga a segunda maior concentração de arte sacra da América Latina e desde 2013 o seu necrotério é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico. Um lado místico do bairro que assombra toda a cidade é a lenda da Loira do Bonfim. Com as primeiras histórias registradas ainda no início de século passado, novas versões vão surgindo a cada geração. Mas todas elas falam sobre uma figura misteriosa que vaga pelas ruas da região tentando atrair desavisados.

cantando na chuva

A Série da Lagoinha tem reportagem e produção de Daniela Vargas, imagens de Sarah Cambraia, e edição de imagens Felipe Ivanicska e Vitória Fonseca.

Conheça mais da Lagoinha e navegue abaixo por outros pontos marcantes o bairro.

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