Filme de Neville D’Almeida é o destaque da Faixa de Cinema desta semana

“Jardim de guerra” foi a obra mais censurada no país e chega à TV aberta, pela Rede Minas

Crédito: Dib Lufti

“Jardim de Guerra” foi o filme mais censurado do cinema brasileiro, com 48 cortes, segundo o portal Memórias da Ditadura. A obra é de Neville D’Almeida, que completa 80 anos este mês. A Faixa de Cinema, sexta, às 23h, celebra a data e faz uma homenagem ao cineasta mineiro exibindo o título, sem cortes, que participou da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes (1969), mas nunca foi lançado comercialmente no Brasil.

O filme traz a história de Edson, que se envolve amorosamente com uma jovem cineasta. Através dela, passa a frequentar os círculos sociais da esquerda que fervilham de ideais revolucionários. Na intenção de conseguir dinheiro para financiar um filme de sua namorada, se envolve em uma negociação que acaba gerando consequências inesperadas.

Em uma conversa com a equipe da Faixa de Cinema, Neville lembrou a carreira e a produção da obra. Ele conta que, ainda criança, em uma viagem com os pais para visitar os tios em Barra Mansa, estado do Rio de Janeiro, pararam em uma bombonière. Ao fundo do saguão, havia uma cortina. Ele perguntou: “papai, o que é aquilo?” e o pai respondeu: “aquilo é cinema”. Neville perguntou novamente: “o que é cinema?”. “Vai lá e olha”, disse o pai. Então, o menino puxou a cortina vermelha de veludo e se deparou com a imensidão da tela e a projeção do filme “Gilda” (1946), com Rita Hayworth e Glenn Ford. Naquele momento, disse pra si: “quando crescer quero fazer isso”.

Hoje, o cineasta, libertário, autoral, inconfundível, controverso, censurado e polêmico, orgulha-se de ter nascido em Belo Horizonte, e agradece a Deus por ter frequentado, no início de sua trajetória, o Centro de Estudo Cinematográficos (CEC), ter sido um dos fundadores do Centro Mineiro de Cinema Experimental (CEMICE) e ainda estudado no Teatro Universitário de Minas Gerais (TU), na época dirigido pela atriz Haydée Bittencourt.

A inventividade de Neville D’Almeida não se resume ao campo do cinema. Além de cineasta e roteirista, é escritor, ator, fotógrafo, artista plástico e performer. Com toda esta criatividade e vocação, o cidadão brasileiro das artes chega aos 80 anos com fôlego de quem está apenas começando. Sobre o momento atual e suas atividades, Neville diz que está se mantendo ocupado o tempo todo, como sempre fez a vida inteira.

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