Ignácio Cano, sociólogo e professor da UERJ, é o entrevistado do Voz Ativa

O Voz Ativa desta segunda-feira, 9 de julho, às 22h15, recebe o sociólogo Ignácio Cano, um dos coordenadores do Laboratório de Análise da Violência (LAV) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). No programa, ele fala sobre segurança pública, destacando as complexidades que enredam violência, criminalidade e democracia no Brasil e na América Latina.

Nos últimos 10 anos, meio milhão de pessoas foram vítimas de homicídios no país. O número é 30 vezes maior que os índices europeus. A constatação é feita a partir de levantamentos do Ministério da Saúde, da Organização Mundial de Saúde e da ONU. Esses dados estão no Atlas da Violência 2018 e mostram ainda que as mortes violentas no país têm cor e têm idade. Ignácio Cano defende que aumento de policiamento nas ruas e ações como a intervenção militar no Rio de Janeiro não solucionam o problema da segurança pública. Ele afirma que “mais mortes pela polícia significam mais policiais que vão ser mortos fora de serviço e, por consequência, colegas deles que irão matar mais, em um ciclo vicioso que só prejudica a sociedade brasileira”.

Polêmica
Durante o programa, houve divergência entre Ignácio Cano e o sociólogo e cientista político, professor Moisés Augusto Gonçalves em torno do chamado genocídio da juventude negra. Para Ignácio, tecnicamente, o termo “genocídio” não se aplicaria pois a maioria das vítimas da violência estão na periferia e o recorte, portanto, seria de classe. O professor Moisés, entretanto, argumentou que há uma seletividade das políticas públicas, que tornam mais matáveis os negros pobres de periferia. Por fim, o professor indaga: “se isso não for genocídio, que nome nós vamos dar para isso?”. A discussão em torno desse tema também teve a participação da jornalista Etiene Martins e do professor de filosofia Renato Pfeffer.

Graduado em Sociologia pela Unversidad Complutense de Madri (1985), onde também fez doutorado (1991), Ignácio Cano tem experiência na área de Psicologia Social e Sociologia, com ênfase em Outras Sociologias Específicas, atuando principalmente em metodologia de pesquisa, políticas públicas, educação, direitos humanos, violência e segurança pública.

Autor de vários livros, entre eles “Introdução à Avaliação de Programas Sociais, Violência Letal, Renda e Desigualdade no Brasil, Ignácio Cano lançou em 2012, em parceria com Thais Duarte, o livro “No Sapatinho – A Evolução das milícias no Rio de Janeiro (2008-2011). A publicação, realizada pelo Laboratório LAV da UERJ, com apoio da Fundação Henrich Boll, concluiu que as milícias reinventaram seu modo de agir para burlar a repressão policial e continuar a agir em áreas da Zona Oeste, Baixada Fluminense e Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.

Para a entrevista, o apresentador Florestan Fernandes Júnior conta com as participações na bancada dos jornalistas Etiene Martins, do Jornal Afronta; Rafaella Dotta, do Brasil de Fato; Érica Vieira, da Rede Minas; do professor de Filosofia da Fundação João Pinheiro e Ibmec, Renato Pfeffer, e do sociólogo e cientista político, Moisés Augusto Gonçalves.

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O programa também é transmitido ao vivo pela webaqui no site da Rede Minas. A reapresentação na Rede Minas é sábado, às 21h45. Em edição especial para rádio, o Voz Ativa é apresentado às terças-feiras, às 21h, na Inconfidência FM. Aos domingos, o programa vai ao ar pela Inconfidência AM às 22h.

Voz Ativa oferece canais abertos com o público para poder comentar, sugerir temas e entrevistados via redes sociais, nos seguintes endereços: FacebookTwitterInstagram e YouTube.

Confira como foi o programa:

       

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