Agrotóxicos: entenda seus impactos na economia, saúde e meio ambiente

Série de reportagens mostra os impactos do uso de agrotóxicos no Brasil.

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O Brasil nunca liberou tantos agrotóxicos como neste ano. A lista de pesticidas autorizados ao consumo pela Anvisa passa de 300 somente em 2019, sendo alguns já proibidos na União Europeia e Estados Unidos. O assunto alertou consumidores e especialistas, preocupados com as consequências do uso destes produtos na lavoura. As empresas e o governo justificam que apenas a burocracia foi reduzida, sem o comprometimento do rigor da avaliação de riscos. Quem está com a razão? Em uma série de três reportagens, o Jornal Minas apresenta os prós e contras do uso dos agrotóxicos.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha aponta que sete entre dez brasileiros acham que os alimentos têm mais agrotóxicos do que deveriam. Oito entre dez acreditam que o consumo de alimentos com agrotóxicos é inseguro para a saúde humana.

Em um país que tem o agronegócio como base da economia, é possível manter a produção em larga escala de alimentos sem o uso dos agrotóxicos? Qual o custo dessas decisões para a saúde do consumidor? Larissa Bombardi, professora da Faculdade de Geografia da USP, faz um alerta importante sobre a presença dos químicos nas lavouras do país em detrimento da saúde pública.

O Governo Federal decidiu reforçar o controle sobre os resíduos químicos nos alimentos e validou em agosto a Instrução Normativa nº 2, elaborada pela Anvisa e Ministério da Agricultura, que estabelece critérios para identificar onde os defensivos estão sendo aplicados. A norma indica também como cada elo da cadeia produtiva deve proceder para atender às exigências dos órgãos reguladores. Com este controle de origem será possível constatar se houve alguma violação, uso de defensivo não permitido para a cultura, ou mesmo em dosagem superior. A auditora fiscal do Ministério da Agricultura Fátima Parizzi aponta a medida como uma agenda positiva de contraponto à liberação de novos defensivos agrícolas.

No Brasil, a demanda por alimentos diante do exponencial crescimento da população exige maior eficiência no campo. Além disso, o país, conhecido como celeiro do mundo, exporta produtos para mais de 160 países. Os agrotóxicos têm a função de preservar a produção agrícola da ação danosa de insetos e pragas e é um insumo importante, especialmente na produção em larga escala.

Muito se fala sobre os malefícios dos agrotóxicos para a saúde e para o meio ambiente, mas eles são uma realidade da qual ainda não podemos prescindir. Por isso a fiscalização e capacitação de quem aplica são fundamentais na cadeia produtiva. Mais importante ainda é o investimento em pesquisas que vão mensurar os impactos do uso de pesticidas nas lavouras. Este é o tema do segundo episódio da série.

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O Brasil é o país que criou a primeira agricultura tropical do mundo. Desde a criação da Embrapa, técnicos e produtores conseguiram recuperar áreas degradadas, produzindo mais e com melhor sustentabilidade. A agricultura biológica segue este caminho, com novas adesões. Em 2016, 8 milhões de hectares de área produtiva eram cobertos pelo controle natural de pragas. No ano passado, esse número ultrapassou 16 milhões de hectares, um crescimento exponencial baseado no manejo integrado.

Na terceira e última reportagem da série sobre o uso de agrotóxicos no Brasil, o repórter Renato Franco mostra que é possível produzir em larga escala sem o uso de defensivos e adubos químicos, com alternativas promissoras para o futuro. Um exemplo é encontrado na fazenda Vista Alegre, no município de Capim Branco, a cerca de 70km de Belo Horizonte. A tecnologia também é uma aliada nesse processo.

       

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